A área de ciência do patrimônio e todas as suas derivações se encontram em constante desenvolvimento, sempre cercada de inovação! 
A Isomeria – Soluções em Química, sempre buscando trazer as melhores soluções para os nossos clientes, acaba de firmar uma nova parceria com a ChimicArte – Projetos Educacionais. 
A ChimicArte é um projeto educacional, pioneiro no Brasil, que tem como principal missão aproximar a Química das áreas de Artes e Humanidades, com foco na transdisciplinaridade, por meio de cursos livres.
Hoje veremos uma entrevista realizada com a fundadora da ChimicArte, a química Drª. Isabel Spitz.
Entrevista realizada em 30 de Maio de 2022. 
-Quando você começou a se interessar pela relação entre a Química e o Patrimônio?
Drª. Isabel Spitz: Desde muito nova eu sempre gostei de Artes, de um modo geral! Na adolescência, cheguei a estudar teoria musical e tocar oboé, um instrumento de sopro, feito em madeira. Porém, na minha cidade natal não havia muitos centros culturais, museus e, ao conhecer esses espaços durante a faculdade, fiquei encantada. Eu frequentava bastante o Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ), o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e outros locais, principalmente no centro da cidade. Sempre me senti muito bem fazendo isso e me perguntava do que os materiais eram feitos, como aquelas obras foram restauradas etc. E, ao escolher o tema da monografia final de curso, orientada pela Prof. Lucidea Coutinho (UFF), decidi fazer uma pesquisa sobre o restauro do TMRJ e, a partir dele, propor uma aula de Química para alunos de níveis Fundamental e Médio, com uma abordagem mais significativa.
-Como você descreveria essa área para quem não conhece ainda? 
Drª. Isabel Spitz: A Ciência do Patrimônio é uma área transdisciplinar que  utiliza conhecimentos e métodos de diversas Ciências, tanto Humanas, quanto Naturais, como é o caso da Química. A finalidade é contribuir para a Preservação e a Conservação do Patrimônio Cultural. Na prática, seria um trabalho em conjunto com diversos pesquisadores de áreas distintas, de forma integrada, mas que vai muito além de um trabalho multidisciplinar somente, pois ultrapassa as fronteiras das áreas do conhecimento e cria novos conhecimentos que são próprios da área de Patrimônio. Sobre essa definição, recomendo o artigo da Profª Drª. Yacy-Ara Froner, intitulado “A Constituição da Ciência da Conservação e a Projeção da Ciência do Patrimônio”, de 2016. Um profissional de Química que precisa estudar fundamentos de Conservação e Restauro, de Museologia e que atua com pesquisas, análises, projetos nessa área pode ser considerado um cientista do patrimônio.
-A área de Ciência do Patrimônio possui atuação somente para a Química? 
Drª. Isabel Spitz: Não. Essa é uma área transdisciplinar, que possibilita o “trânsito” por diversas áreas do conhecimento, inclusive pela Biologia, Física etc.
-Como é o mercado no Brasil para essa área?
Drª. Isabel Spitz: No Brasil, não é muito comum a oferta de vagas específicas para profissionais de Ciência do Patrimônio, sendo mais comum projetos de pesquisa integrando diversas universidades e instituições ligadas ao patrimônio. Para Químicos e Químicas, mais especificamente, há oportunidades direcionadas a projetos que envolvem análise de materiais utilizados em bens culturais, para que se compreenda melhor os fenômenos de degradação de uma obra de Arte, por exemplo. É preciso ficar atento aos editais de fomento e contactar as instituições com uma certa frequência para encontrar as oportunidades.  Apesar disso, é uma área muito desafiadora e que possibilita ao profissional de Química estudar todas as áreas da Química de forma integrada e aprender sempre mais sobre a nossa cultura e a nossa história.
-Nos conte um pouco mais sobre a ChimicArte.  
Drª. Isabel Spitz: Falar sobre a ChimicArte é algo que faço frequentemente mas que sempre me emociona! É algo que faz meus olhos brilharem, realmente. A ChimicArte é um projeto educacional pioneiro no Brasil e, até então, único na área de Química aplicada à Arte. Em termos burocráticos, é uma empresa mas, na prática, vai além disso, pois buscamos fazer da Química uma Ciência (do Patrimônio) mais próxima ao cotidiano das pessoas, utilizando uma linguagem acessível em nossos cursos, enfatizando a importância de fazer procedimentos mais amigáveis ao meio ambiente, trazendo alternativas aos produtos largamente utilizados no campo de Conservação e Restauro. Fundei a ChimicArte em 2017, conduzi sozinha 99% do trabalho até a pandemia, quando senti a necessidade de ampliar as opções de cursos e convidei outras profissionais para atuarem comigo. Hoje, temos professoras da área de Conservação e Restauro, Museologia, Pedagogia, Design, entre outras. Além disso, temos uma pesquisadora bolsista, Hélia Braholka, da área de História, que atua no projeto que temos com o Museu da História da Medicina do Paraná. Os cursos são pagos mas oferecemos diversas categorias de descontos, para estudantes, instituições parceiras e isenções para alunos com hipossuficiência de renda. A ChimicArte hoje também atua na área de análise científica de obras de Arte, perícia e pesquisa. Parte dos ensinamentos aprendidos nos últimos anos estão sendo utilizados como base para a pesquisa de Pós-Doutorado que realizo no Grupo de Pesquisa em Macromoléculas e Interfaces (GPMIn-UFPR), orientada pela Profª Drª Izabel Vidotti, em parceria com o Museu de Arte Murilo Mendes (UFJF), com supervisão do Conservador-Restaurador Dr. Aloisio Nunes de Castro.
Agradecemos muito à Drª Isabel Spitz pela disponibilidade! 
Podemos compreender o grande espaço de crescimento da área de ciência do patrimônio no território nacional e quanto a ChimicArte – Projetos Educacionais é especializada no meio! 
Para conhecer mais sobre a ChimicArte é só clicar neste link
Por: Letícia Ludovico
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